Deve ser alguma coisa na nossa água!
Comecei a desconfiar da nossa água...
Provavelmente nosso país tem um serviço secreto que adiciona gotas amnéticas nas caixas d'água e poços na calada da noite. Tão secreto que funciona desde 1.500 e ninguém descobriu!
Gotas na água dos índios, gotas na água dos escravos, gotas na água dos portugueses.
Acho até que colocaram gotas de esquecimento na água benta e Deus esqueceu que é brasileiro!
O esquecimento é coletivo.
Os brasileiros não se lembram do seu hino, da sua bandeira, nem das aulas de Moral e Cívica da escola.
Aliás, escola?
Basta a gente sair da igreja, do templo, do terreiro, do altar de cada um, para a gente esquecer nossas crenças.
Basta a gente ser fechado na rua para esquecer nossos valores.
Crenças e valores......
É, essas gotas devem ser poderosas.
Maluf e Collor reconduzidos ao poder...
O buraco do Metrô pegou a gente de surpresa numa sexta, e no sábado a gente até se lembrou do Sergio Naya, dos prédios do Rio.
Hoje, quem se lembra do buraco de São Paulo? Só quem está em um hotel, sem casa, sem lembranças...
Plano Cruzeiro, Cruzado, Luiz Otávio, Dirceu, Celso Daniel, Zélia?
Como chamava o cara dos dólares?
Parece que essas gotas só não apagam novelas, músicas ridículas com refrões sem nexo repetidos aos montes, dancinhas e coreografias, BBB´s 1,2,3,4,5,6...
Aqui ninguém se lembra dos seus heróis, nem dos seus vilões.
E os nossos mártires?
Faço uma aposta amarga. Daqui há 6 meses, quem se lembrará do João Hélio? Seus pais, com certeza. Seus amigos também.
Quem o viu passar arrastado pela rua pode perder o sono por algumas noites.
Nós, talvez quando o Jornal Nacional passar a missa de um ano na TV, esboçaremos um balançar de cabeça triste. E só...
Quem se lembra de Yves Ota?
E de Liana e Felipe Caffé?
Romeu e Julieta paulistanos mortos na mão do Xampinha, que será solto em breve.
E a moça da faculdade do Rio?
Cadê o Delmanto?
Lembra das pessoas (inclusive uma criança) queimadas no carro no mês passado no interior?
Em que cidade mesmo?
Esqueceu, né? Tá vendo?
A gente se acostumou tanto que anestesiamos.
De que adianta um minuto de silêncio?
A gente critica tanto nossos vizinhos metidos, mas lá tem panelaço e aqui, o país do batuque, a gente se junta e fica quieto por um minuto. E aí aquele silêncio incomoda, e logo logo tudo volta ao normal.
Nós devíamos contra-atacar. Chega!
Também na calada da noite colocar gotas de vergonha na cara, de moral e ética nas caixas d'água dos nossos governantes, do nosso legislativo, do nosso executivo...
E sabe o que mais?
Gotas de coragem no nosso copo, na nossa sopa, no nosso pingado, no leite das nossas crianças, na nossa lágrima, todo dia, toda hora, porque não dá para ser gotas homeopáticas, não.
Gotas de coragem tipo colírio, para abrir nossos olhos.
Gotas de coragem no chuveiro para lavar a nossa alma.
Gotas de coragem nas nuvens, para molhar a nossa gente com vontade de viver em um país melhor, para a gente acreditar que dá para voltar atrás, no tempo da delicadeza, do respeito, da dignidade e da honestidade.
Gotas de coragem na nossa pinga, na nossa cerveja, no nosso whisky, no nosso gelo, para a gente engolir a mudez que assola esta terra e gritar por justiça toda vez que a gente se deparar com ela.
Caminhões-pipa de coragem nos nossos rios, para espantar a inércia e a comodidade que nos paralisa e nos mantém apáticos sempre que a desgraça passa longe das nossas casas.
Porque podia ter sido o meu filho... Podia ter sido o seu....
E aí, meu amigo, as gotas amnéticas não funcionariam e a gente ia se lamentar todo dia por não ter feito nada quando ainda havia o que ser feito.
E pensar nos blocos e trio elétricos que, durante o carnaval (festejando o que?) arrastaram milhares de pessoas. E não somos capazes de, também aos milhares, nos reunirmos para protestar... Para exigir...
SOMOS ORDEIROS?
NÃO...
SOMOS CORDEIROS!
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(Recebi por e-mail)
Pense nisso...
Abraço!
Tuesday, March 20, 2007
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