Tuesday, April 04, 2006

Cliques...

Detesto cliques! Sabe? Aquele dia em que você está pensando em mil coisas e em nada ao mesmo tempo e de repente:

"Click!"...

E você pensa:

"- Peraí. Tem alguma coisa errada!"

Daí, após pensar mais e mais, conclui:

"- Não sei se esse sou eu mesmo ou toda minha vida é um teatro e eu um personagem", ou:

"- Não queria que fosse desse jeito, preciso mudar isso. Mas como?".

- - - -

Eu tive um clique. Aliás, não aguento mais essa encanação clicando na minha cabeça. Por acaso tenho cara de mouse?

> Vou falar sobre a minha encanação e os cliques...

O meu amigo, o mesmo do post anterior, da incerteza e tal...
O clique despertou a incerteza!
Eu tinha três (talvez quatro) melhores amigos - como se fosse possível colocar três ou quatro melhores num só nível, mas sigamos em frente... Pessoas fantásticas a quem confiaria minha vida e confiei todos meus segredos...

O primeiro desses grandes amigos que perdi foi o Fulano, e foi o que mais me abateu ao sentir a irreparável distância que tínhamos alcançado um do outro... Tínhamos uma conexão muito grande e muito forte, nos falávamos horas a fio por telefone e MSN, nos víamos constantemente (preciso disso, preciso estar junto de quem amo) e a naturalidade com que conversávamos sobre QUALQUER assunto era inácreditável, e perdi isso. Perdi por motivos banais... Motivos banais que poderiam ser reparados, mas o tempo levou embora a intimidade e o afeto... Foi uma merda! Não sei até hoje se me refiz desse episódio lamentável...

Noutro belo dia, de um modo absurdamente estranho foi a vez do Ciclano e o jeito pirado dele de ser desaparecerem do meu dia-a-dia, deixamos de ter intimidade, de sair juntos, de nos ver... Ele parou de sair com a gente e não por falta de insistência ou convites, mas por motivos desconhecidos... E quando me dei conta, "PUF!", tornou-se um estranho, um desconhecido a quem não confiaria nem meu endereço de e-mail...

O Beltrano (é o nº4, resolvi incluí-lo de vez no assunto) foi de certo modo fácil de superar, mas não nego que sinto falta, muita falta. Nossa amizade era muito física e muito prática, sem rodeios, muito sincera e espontânea. Não existiam temores nem timidez. Ele era uma janela do mundo, o cara era original, muito original. Viveu tudo e tem história pra contar... Me ensinava coisas que só se aprende com o tempo. Fluía naturalmente como o vento... Só que esse vento deve ter soprado demais e a amizade não sobreviveu à distância que nos foi imposta.

O próximo? Não é próximo nem último. É o único! Não que não seja suficiente, mas eu tive a merda do clique, que agora soa terrívelmente parecido com o Besouro-da-Morte.

Ele não tem a espontaneidade, as histórias e nem a originalidade do Beltrano, nem a insanidade do Ciclano e nem a intimidade e o conforto de falar sobre qualquer coisa que tinha com Fulano.
Mas então, o que é que ele tem? Nada! Não tem nada do que eu espero de uma amizade tão sincera quanto a nossa (ou a minha, por que às vezes - quase sempre - ela não é nada recíproca). Acho que o clique quer dizer: "Você num está vendo? Pare de desperdiçar seu tempo com um cara que não te agrada!".

Mas eu não consigo... Queria os outros três de volta, cada um com sua característica que mais me agrada.

O pior, é que não posso dizer isso à ele. Primeiro porque ele nunca entenderia, a vida pra ele, é pra ser vivida e não discutida. Tem que ser como é. E segundo, pq concordo com ele, não posso querer essas coisas de alguém, deveria mesmo é ter procurado alguém que me fizesse feliz nas pequenas coisas e pequenos detalhes. E outra, essas coisas, principalmente a intimidade, são coisa que deveriam fluir naturalmente, não se pode criar sentimentos como se a vida fosse uma grande utopia.

Mas amigo a gente não escolhe, né? A amizade acontece, e quando vê, já foi! Anos de amizade sem intimidade, sem reciprocidade, sem naturalidade, sem espontaneidade, sem... Amizade!

E o pior de tudo é que se escrevi essas coisas é pq sei delas, e quando descobrimos um problema, temos de resolvê-lo...

Antes fosse uma utopia...

Tsc!

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