Sunday, May 27, 2007

Sessão nostalgia

Hoje, pouco antes do almoço estava "folheando" a televisão e ao passar pela TV Cultura vi que estava começando um programa que adorava quando criança!
Eu tinha o privilégio - e o motivo pra me gabar - de ser o primeiro garoto a ser deixado em casa pela tia da perua, o que me permitia pegar desde o começo o Castelo Rá-Tim-Bum...

Como eu adorava!
Aquilo era um mundo de fantasias pra mim!

Como eu queria ser o Nino! Queria ser bruxo, ter 300 anos, ter bichos engraçados e falantes espalhados pelos cômodos da casa! Ser amigo da Caipora e da repórter cor-de-rosa!
Como eu queria que aquele Etevaldo me visitasse!
Ahh, como eu queria ter um relógio e um porteiro falantes! Um ninho de passarinhos num galho de uma árvore cujo caule serve de casa para uma cobra com problemas de auto-aceitação dentro da sala de estar!
E as geringonças do Tio Vitor?
E as feitiçarias da Tia Morgana?

Coisa de criança... Que fica pra trás e dá lugar pra Malhação, que depois dá lugar pra MTV, que depois dá lugar pra telejornal, que por fim não dá lugar pra mais nada!
Coisa de criança...? Preferiria nunca ter deixado de ser uma. Algo do tipo Peter Pan, sabe?

Lembrei do condomínio que morava, das dezenas de amigos que deixei pra trás e que não sei onde estão e nem o que fazem hoje.
Lembrei do pega-pega, do esconde-esconde.
Cara! Eu adorava brincar de esconde-esconde. Que falta me faz isso. Acho que nunca brinquei o suficiente...

A alegria de ver novamente o Castelo Rá-Tim-Bum foi dando lugar pra tristeza. Tristeza de estar ali com 20 anos no sofá da casa da vó, vendo Castelo Rá-Tim-Bum sabendo que não ia jantar dali a pouco nem descer pro pátio e encontrar o Gustavo, a Evelyn, o Renan, a Tainá e o Bruninho. Tristeza de saber que o esconde-esconde acabou, não tô mais nessa idade...

Que angústia! Fiquei triste de verdade, com nó na garganta e tudo...

Essas coisas que a gente faz quando criança até podem ser feitas depois de crescido, mas é só pra lembrar, não pra viver. É patético!
Eu brinquei sim, muito, mas me deu saudade. Senti que perdi um pedaço de mim naquela hora. Se eu ainda tivesse contato com essas pessoas, poderíamos ao menos lembrar dessas coisas e rir juntos, mas nem isso posso!

Percebi que essa tristeza é duradoura, e o único jeito de evitá-la é não pensar o tempo todo no passado, ou pensar em como ele foi intenso, e não que ele já se foi. E o único jeito de não aumentá-la é viver também o hoje intensamente, para que no futuro possa rir de tudo o que fez... Mesmo pq não posso negar o fato de que amo o presente - mesmo tendo às vezes certo medo do futuro.
Já não estou mais tão triste, mas eu bem que queria brincar de novo...

" - Só mais um pouquinho mãe!" - eu gritava pra ela na janela, sem celular, sem telefone e longe do interfone. Sem nada, só no gogó, eu e ela, eu no pátio e ela no 4º andar!
Abraço!

No comments: