Wednesday, May 23, 2007

Muitas coisas...

Tudo é pouco e o pouco às vezes é muito. Muito pode ser nada...
O que é tudo? O que é nada?

Ninguém deveria ter o direito de usar essas palavras tão fortes.

Fortes e opostas. Fortes, opostas e sempre usadas. Usadas como veículos usados, que desvalorizam apenas por sair da loja e tocar o asfalto. Asfalto esburacado. Buracos nunca tapados tapando os olhos do contribuinte que não sabe que fim leva o IPTU e o IPVA. Contribuinte que pode ser facultativo ou individual, e que pode recolher onze ou vinte por cento, mensal ou trimestralmente. Por cento que é usado como medida para a venda de salgadinhos de festa. Festa que é a política do país. País que é republicano no papel (pode conferir seu RG) mas democrata em outros papéis. Papéis que quase ninguém recicla e simplesmente joga fora. Fora do país que é pra onde um dia eu vou. Dia ensolarado, dia de verão. Onde todos verão que o dia está nublado. Nublado como a economia norteamericana que parece instável. Instável como o meu humor. Meu, minha, vosso, nosso, Nossa Senhora que não é minha. Nem minha nem de nenhum protestante. Protestante como os que conquistaram as "Diretas, já!' já que ninguém teve idéia melhor. Melhor como a mãe da amiga que se recupera da cirurgia do coração. Coração que às vezes não sabe o que faz. Faz tempo que não passo um fax. Fax que recebi para brincar de trocadilho com a palavra 'faz' e também para comunicar que tínhamos uma proposta do Sr. Emilio Cominnato. 'Faz' de quem faz a hora e não espera acontecer. Aconteceu! Greve na Proservvi. Proservvi que virou Fidelity. Fidelity que continua Proservvi. Continua com os funcionários que eram meus colegas de trabalho. Trabalho que deixei pra trás em troca de melhor oferta. Oferta que não posso aproveitar pois estou sem dinheiro. Dinheiro que não sei como gastei. Gastei as dobradiças do armário que já não fecha mais. Armário que é metáfora para homossexuais não-assumidos. Assumidos como o cargo público que ocupo no INSS. Ocupo a culpa. Culpa de ajudar na construção de uma instituição considerada falida. Falida como a massa de documentos que as empresas largam em sindicatos ou semelhantes. Semelhantes que são diferentes. Diferenças que geram preconceito. Preconceito que gera ódio. Ódio que gera o movimento nazista liderado por um homem doente. Doente como a própria humanidade. Humanidade que perdeu o valor. Valor que se mede em cifras e não mais em feitos notórios. Notória programaçao de TV que sucumbe parte inocente - e culta - da sociedade à tortura explícita em programas de namoro ridículos e novelas. Novela que são as CPI's que só servem para alimentar jogos partidários e de interesses. Interesse de conhecer o Rio de Janeiro que está acabando. Acabando com os bens e a saúde mental de turistas saqueados. Saqueado sou eu! Que pago CPMF e tarifas absurdas por ter acessos de tosse ou espirro nas proximidades da agência desde que estejam em desacordo com o contrato de abertura de conta com apenas 2.753 páginas que ninguém nunca leu.

Nunca é outra palavra forte.

Nunca diga nunca. E já disseste duas vezes. Duas vezes dez que é a minha idade. Idade mínima para votar é de dezesseis anos mas só vai pra cadeia se tiver dezoito, então, se der errado o "dimenor" assume a autoria. Autoria desconhecida de crônicas e textos que recebo por e-mail. Recebo no 2º dia útil e já gasto. Gasto tempo lendo os e-mails da caixa de entrada. Caixa de banco que demora horas pra te atender. Atender ao telefone de madrugada e chorar ao som de uma má notícia. Notícias de rotina nos telejornais. Rotina violenta. Violenta bala perdida. Perdida como as crianças que correm ao som do seu disparo. Paro?

Não, não paro de escrever.

Escrever é respirar. Respirar é o que fazia Clarice Lispector. "Clarice Lispector - A Hora da Estrela" é a estrela atual do Museu da Língua Portuguesa. Língua que vemos no museu, mas aprendemos na escola. Escola em que usam canetas de gel as meninas. Meninas que se impressionam com os penteados cheios de gel dos meninos. Alunos com gel nos cabelos e canetas na aula de gramática. Gramática que é frequentemente motivo de discussões acaloradas dentro do carro. Dentro de cada um. Cadafalso. Onde se executavam falsas penas de morte decretadas por pessoas falsas. Morte que eu deixo pra mais tarde. Por hora prefiro as penas. Penas de ganso no meu travesseiro. Travesso travesseiro que me causa dores no pescoço. Dores que é dolores em espanhol. Que também é o nome da mãe da amiga para a qual preciso ligar agora. Precisão cirúrgica. Preciso muitas coisas. Coisas que não posso. Tomo posse. Tomo um café e um guaraná pra me animar. Tomo posse. Fico possesso com coisas que não posso. Café que não gosto e guaraná que não tomo. Não gosto, não quero. Não. "Não" que define pessoas. Pessoas que fazem escolhas. Escolhem entre azul e amarelo, entre vermelho e verde. Cores de toalhas de banho ou de mesa. Toalhas de mesa sem cor. Mesa sem toalha pra jogar baralho. Baralho em tarde ensolarada de carnaval. Carnaval que é panis et circenses. Pão que falta, circo que sobra. Sobras que alimentam. Xepa que alimenta a miséria. Miséria que mutila os sonhos. Sonho de padaria. Sonho acordado em ter uma rede de padarias. Rede pra deitar. Deitar e rolar em pleno saguão da reitoria. Movimento estudantil? Vergonha estudantil invadir um prédio para exigir praticamente total controle da instituição. Controle de videogame. Video de família. Família reunida pro almoço de domingo. Almoço, arroz e feijão. Feijão na panela. Panela de pressão. De pressão. Depressão. São é aquele dentro da casa para loucos. Para loucos. Pára-raio. Pára-brisa. Brisa que refresca. Refresco de laranja. Laranja-claro como aquele lápis de cor que não sei pra que serve. Servir como à seus senhores. Senhores do engenho. Engenheiros de todas as áreas. Área de serviço onde se guardam vassouras. Vassouras encantadas que voam. Voam pelos ares com mais um homem-bomba. Bomba de chocolate. Chocolate recheado. Carteira recheada. Carteira de benefícios. Benefícios como o vale-refeição, vale-transporte. Transporte público ineficiente das grandes cidades. Cidade maravilhosa, cheia de encantos mil e tiros de fuzil. Fusível dos estabilizadores que sempre queima. Queima o filme. Filme de tarde na tevê. Tarde de curtir o ócio. Ópio da China. Negócio da China. Chineses que prosperam com seus negócios e camelôs na 25 de março. Março das águas de março fechando o verão. Fechando as portas, a burocracia venceu e o microempresário faliu. Burocracia, aristocracia. Aristóteles e Platão. Platina como os discos que os artistas ganham. Artistas plásticos. Talheres descartáveis e detestáveis. Quadros clínicos estáveis. Clínicas de aborto ilegais. Aborto que devia ser legalizado ou não? Perguntem para o Papa. Papinha de neném. Perguntem para o neném que não escolheu nascer e agora passa fome. Passa o trem e o menino pede esmola. Passa roupa e a menina perde a escola. Esmola, escola? Escolha. Liberdade de escolha. Liberdade de expressão. Expressão facial que fala pela gente. Gente com cara triste dentro do ônibus em horário de pico. Ir pro Pico do Jaraguá de ônibus. Ônibus espacial que explode no lançamento. Lançamento de uma marca de perfumes marcantes. Lança-perfume feito em casa. Feito, rarefeito como o ar lá de cima. Ar. A.R. dos Correios. Correias dentadas de carros. Dentaduras em copos d'água na hora de dormir. Dormir na hora certa e no mínimo por oito horas.

Mínimo, máximo...

Detesto estes limites. Limites do cheque especial e do cartão de crédito. Cartão de visitas. Visitas insuportáveis com seus cartões de visita. Insuportável esse frio em pleno mês de maio. Maiô? Não dá nem pra pensar em praia ou piscina. Piscina de bolinhas. Bolinhas de gude na areia. Areia da praia que ninguém quer ir. Ir além, superar limites e ultrapassar barreiras. Ultrapassar veículos só quando a faixa não for contínua. Regra esta continuamente ignorada. Regras e exceções. Exceções às regras. Exceções que viram regras. Caos total...

Total. Outra palavra forte, não tanto como nunca.

Não tanto, entretanto, portanto, porquanto. Quanto? Pouco... Muito... Pouco é tudo, muito é nada... Nada é filosofia barata de moleques de 20 anos?

Filosofia é sempre barata, principalmente para os "alunos" da USP.

Tudo são todas as coisas, nada são todas as coisas...
Coisas...

Quem sabe de todas as coisas?
Abraço!

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